Monday, October 25, 2010

foge-me o chão

por tudo
abandona-me aqui
somente a terra me comerá os pés
o cansaço que derramo
será sorvido por um leito
que me aguarda
despido
quente

pudesse eu cheirar o que pensas
e tragar cada palavra
malícia de letras bem-vindas
num sopro que só o meu olhar
cuida
o amor já não se deixa abater assim
foram tempos
em que esquecer dava jeito
e fugir era bem feito
e mexer nas coisas significava
querer mesmo saber
o intuito

a essência
era comer as mãos com que se pecava
neste silêncio que não nos deixa dormir,
grita-me aos ouvidos
treme-me os lábios
pequenos bichos-do-mato
passeando-se no ruído
deste peito convalescente
um eterno volver
no cabelo que cheira a pêssego
e que de um travo
bebo
fio a fio
prendendo-me o esófago afrontado
fio a fio, por entre fios

a cor do mel
arde nos braços

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