Monday, April 26, 2010

a música também dorme

foi de relance
que vi os olhos rasgados
com lágrimas de um azedo bruto
ninguém a perseguir o ar e,
sem querer,
todos querendo pedaços de qualquer coisa fora do comum
imaculada
a luz apagou-se de um ímpeto
as mãos voltaram a ser amor;
queria, a todos os milésimos de segundo,
proteger teu dorso com abraços de rainha
esquadrinhar-te a pele sem pudor
espalhar meus beijos
e sentir-me viva em nós,
como sempre faço,
a música voltou-me
sentou-se ao meu lado
no sofá velho
e acariciou-me o coração
com acordes de choro desafortunado na alma
e melodias na pele
saciou-me
queimou-me a ansiedade
quis ser céu
porque a música também dorme

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