Tuesday, March 16, 2010

marear

do lado de lá das encostas mortas
o tempo
coração audaz
de onde o sopro do que é nítido
se deixa transformar
em fios de cabelos
de lava

peónias, lírios, de tudo o que é belo
se impôs o rio cor de fogo,
um rosto muito vermelho
afrontado
de olhar sufocado
repressão mordaz
corroendo o vento
o desalento de ser pungente
em água quente
mergulhar os braços
pescoço, rins, mãos
e por fim as pernas
lavar o inchaço da ponta de ferro
exausto das vergônteas
naquelas tais encostas,
as mortas, secas
compreendo agora
que o corpo se deixa abater
apenas se lhe dermos
água salobra a beber,
eternas vidas

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