Saturday, November 7, 2009

trancas na porta


chave de prata em dorso de cobre
cobre-me
os olhos
as mãos de céu
um quarto, pecados
são simples, insignificantes, dúbios tesouros

saliva
restos da cama
no chão
enlaçar os pés
em denúncias sujas de amor
o desejo suspenso no tecto
agarrando-te os braços
indefesa
ler poesia
nos teus olhos
a memória de ti
prostrada no chão
loiça partida
e um pássaro espreitando no parapeito
os restos de lava
ainda quente
rugindo neste corpo efémero
a faca caída a teus pés
cantando ao olhar vazio
de um nada feito,
um nada colossal
perfurando as paredes
já manchadas do whisky
que me atiraste à cara
na noite em que te pisei as mãos

não espero nada
já não, mais nada
a cura sente-se nos lábios
de mulher
ou a ideia dela
o pensamento que urge o suicídio da alma
todos os dias de chuva
batendo nos vidros
de janelas que não existem
de casas invisíveis
perto de rios que já não correm
nem dançam com a luz
batendo-lhes em rajadas
mutilantes
de cor escura

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