de quem são os olhos
que te vêem surgir
à noite, sozinho
num sem fim de caminhos
em estradas desnudas
de gentes sisudas
e beijos ao dormir?
de quem são os lábios
que escondem desmaios
e mordem de sede
os que bebem soslaios
de encontro à parede?
e de quem são as mãos
que te molham o corpo
de mar, suspiros
absortas em lírios
que brotam do chão?
são meus, meus, minhas
para sempre sozinhas
cravadas no céu, nuas, infindas.
Sunday, December 6, 2009
Saturday, November 7, 2009
trancas na porta

chave de prata em dorso de cobre
cobre-me
os olhos
as mãos de céu
um quarto, pecados
são simples, insignificantes, dúbios tesouros
saliva
restos da cama
no chão
enlaçar os pés
em denúncias sujas de amor
o desejo suspenso no tecto
agarrando-te os braços
indefesa
ler poesia
nos teus olhos
a memória de ti
prostrada no chão
loiça partida
e um pássaro espreitando no parapeito
os restos de lava
ainda quente
rugindo neste corpo efémero
a faca caída a teus pés
cantando ao olhar vazio
de um nada feito,
um nada colossal
perfurando as paredes
já manchadas do whisky
que me atiraste à cara
na noite em que te pisei as mãos
não espero nada
já não, mais nada
a cura sente-se nos lábios
de mulher
ou a ideia dela
o pensamento que urge o suicídio da alma
todos os dias de chuva
batendo nos vidros
de janelas que não existem
de casas invisíveis
perto de rios que já não correm
nem dançam com a luz
batendo-lhes em rajadas
mutilantes
de cor escura
Tuesday, September 29, 2009
retrato de corpo inteiro
a perfeição de um toque
o delinear de um corpo moldado a duas almas
a música que renasce em cada suspiro
a junção da nudez com a melodia
de um amor a descoberto,
em carne viva
e quente
o violoncelo rasgado da pele
e um pescoço que afaga o cansaço
descontraído e terno,
num abraço sem fim
por fim,
em infinitos de fins
infindáveis
serás música?
serás alaúde quebrado nas cordas
e sedento de melodia vã,
sem espírito,
sem zumbido mouco,
sem vontades vastas de desejo?
tens o quarto vestido de mágoa e fumo,
com tranças de linho entre as cortinas
que esvoaçam ao vento de uma noite sem dó
serás tempestade no meu peito?
serás luz que espreita num esgar distante
pela sombra desse pensamento que foge
a cada passo meu,
passos brutos,
passos vincados?
lembra-me como eram doces
os teus beijos de pele de pêssego
e lábios quebradiços de murmúrios,
e sentimentos nas pontas dos dedos que quedam
e não me tocam;
as noites transformar-se-ão em tempo parado
no nosso tempo demasiado liberto
e sagrado,
em que apertos de coração e suspiros
serão a constante vaga satisfação
insana e breve
mas digna de memória;
torce os meus cabelos nas tuas mãos
mordisca-me o sorriso
fala-me de nós...
somos realmente música
o delinear de um corpo moldado a duas almas
a música que renasce em cada suspiro
a junção da nudez com a melodia
de um amor a descoberto,
em carne viva
e quente
o violoncelo rasgado da pele
e um pescoço que afaga o cansaço
descontraído e terno,
num abraço sem fim
por fim,
em infinitos de fins
infindáveis
serás música?
serás alaúde quebrado nas cordas
e sedento de melodia vã,
sem espírito,
sem zumbido mouco,
sem vontades vastas de desejo?
tens o quarto vestido de mágoa e fumo,
com tranças de linho entre as cortinas
que esvoaçam ao vento de uma noite sem dó
serás tempestade no meu peito?
serás luz que espreita num esgar distante
pela sombra desse pensamento que foge
a cada passo meu,
passos brutos,
passos vincados?
lembra-me como eram doces
os teus beijos de pele de pêssego
e lábios quebradiços de murmúrios,
e sentimentos nas pontas dos dedos que quedam
e não me tocam;
as noites transformar-se-ão em tempo parado
no nosso tempo demasiado liberto
e sagrado,
em que apertos de coração e suspiros
serão a constante vaga satisfação
insana e breve
mas digna de memória;
torce os meus cabelos nas tuas mãos
mordisca-me o sorriso
fala-me de nós...
somos realmente música
Friday, September 25, 2009
Thursday, September 24, 2009
rebuscos
repito-me muitas vezes
para mim, para dentro
choro cá fora
o que é do peito
faltas-me muito,
nem o murmúrio da tua voz, apenas
me salva do pranto
de não te ter
gravado em mim, perto
no fundo de tudo o que me faz
eu
e tu
desafiando a música dos meus olhos
guitarras nos pés,
dedos
grandes, bandidos
tocam a velocidades de sete nós
sete caravelas
sete batalhas esmagando o ar
repito-me
vezes que já não conto
que me faltas
como a luz me falta quando escrevo
para mim, para dentro
choro cá fora
o que é do peito
faltas-me muito,
nem o murmúrio da tua voz, apenas
me salva do pranto
de não te ter
gravado em mim, perto
no fundo de tudo o que me faz
eu
e tu
desafiando a música dos meus olhos
guitarras nos pés,
dedos
grandes, bandidos
tocam a velocidades de sete nós
sete caravelas
sete batalhas esmagando o ar
repito-me
vezes que já não conto
que me faltas
como a luz me falta quando escrevo
Tuesday, September 22, 2009
outra vez, aqui
de amor te falo
do que me segura à tua pele
rodas dentadas
aspersores de água do mar
lavando-me a alma
e o teu rosto
aparecendo em todas as janelas que abro
em todas as imagens
de olhos fechados
um convite ao teu corpo
chamando-me
de sede,
peito acanhado
uma vergonha pura
que a saudade devolve sempre
diluída nestes momentos
de "outra vez, aqui"
quero-te
nas asas de um livro
na poesia rasgada
do meu pescoço
que aguarda uma boca
essa boca
a tua, lábios de seda
maçã, amora,
veludo de alperce
à sombra dos meus abraços quentes
o fervor que cresce
o calor que se dissolve
neste recanto da vida
que se amarra aos olhos
quero-te: assim, só
do que me segura à tua pele
rodas dentadas
aspersores de água do mar
lavando-me a alma
e o teu rosto
aparecendo em todas as janelas que abro
em todas as imagens
de olhos fechados
um convite ao teu corpo
chamando-me
de sede,
peito acanhado
uma vergonha pura
que a saudade devolve sempre
diluída nestes momentos
de "outra vez, aqui"
quero-te
nas asas de um livro
na poesia rasgada
do meu pescoço
que aguarda uma boca
essa boca
a tua, lábios de seda
maçã, amora,
veludo de alperce
à sombra dos meus abraços quentes
o fervor que cresce
o calor que se dissolve
neste recanto da vida
que se amarra aos olhos
quero-te: assim, só
Monday, September 21, 2009
papel-coração
o meu último fôlego pertence-te
amachucado em suspiros
difíceis de escutar
sensatos
fáceis de mastigar, querer
nas ruas, fazemos o que nos mandam
amamos muito
mas somos livres
talvez um pouco sádicos
livros abertos
que me falam de ti
absorvo-os
desfaço-lhes as páginas
de um papel-coração
teimoso
rasgar a pele para te sentir mais perto,
mais dentro,
mais eu
amachucado em suspiros
difíceis de escutar
sensatos
fáceis de mastigar, querer
nas ruas, fazemos o que nos mandam
amamos muito
mas somos livres
talvez um pouco sádicos
livros abertos
que me falam de ti
absorvo-os
desfaço-lhes as páginas
de um papel-coração
teimoso
rasgar a pele para te sentir mais perto,
mais dentro,
mais eu
Saturday, September 19, 2009
o chão desabar-se em fôlegos
ver ao longe
o chão desabar-se em fôlegos
nossos
metade do que respiramos
perde-se nas palavras
gritamos o amor que nos prende
calcorreamos cada traço
tu no meu
corpos
e o que resta
morre e renasce
em cada momento que te faço
chegar aquele suspiro velho
rude, de arrastar lábios
do rosto às mãos
o chão desabar-se em fôlegos
nossos
metade do que respiramos
perde-se nas palavras
gritamos o amor que nos prende
calcorreamos cada traço
tu no meu
corpos
e o que resta
morre e renasce
em cada momento que te faço
chegar aquele suspiro velho
rude, de arrastar lábios
do rosto às mãos
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